sexta-feira, 17 de agosto de 2012



Caros leitores,

             Voltei com o blog a ativa, irei postar pelo menos uma vez na semana. Eu estava tirando um tempo pra mim, aconteceram algumas coisas e eu estava até fora de casa (risos) estou bem melhor comigo mesma, precisava disso... E enfim...
            Hoje irei falar sobre o homossexual aceito em casa (algumas postagens abaixo eu falei sobre os não aceitos, inclusive falei sobre a minha história).
Conversei com algumas pessoas. And, here go!

            1º Depoimento: Neto Pinheiro, 18 anos. Balneário Camboriú, Santa Catarina.

            Neto diz que, sua experiência no começo se assumindo foi conturbada, “eu sempre fui muito ‘viado’ sabe, nunca nem fiquei com uma mina antes do reveillon do ano passado, mas a primeira vez que eu fiquei com um menino foi com 14 anos (com meu primo)... Hahaha, e tipo eu nunca cheguei nos meus pais e disse "eu sou homossexual" porque eu nunca tinha achado necessário, sabe” Há um ano e meio sua mãe o descobriu, quis bater no mesmo, sua mãe o descobriu deu o prazo de uma semana para ele sair de casa... “ ’Bom mãe se é isso que tu queres, ótimo’ no mesmo dia liguei pra minha avó e pedi pra morar lá um tempo, no dia que eu saí da casa da minha mãe, ela não estava em casa, tinha ido na igreja e eu fui sem me despedir e sem dizer pra onde eu tava indo. Mais ou menos uma hora depois, ela me liga e pergunta aonde eu estou, me ligou chorando, disse que se arrependia e e eu disse que era tarde que eu ia morar com a minha avó e fazer faculdade...” Então sua mãe lhe chama pra morar com ela quase todos os dias que os dois se falam, o resto da família sempre o aceitou bem... Depois ela foi ficando conformada, ela sabe que eu saio pra boates gays todo sábado, e agora eu e ela temos uma relação bem melhor. Eu acho que o amor fraternal sempre vence todas as barreiras do preconceito” ▬ Hoje em dia Neto mora sozinho e sua mãe lhe ajuda dando mandando um pouco de dinheiro para despesas, entre outros.


2º Depoimento: Bom, ela pediu para não dizer o nome, mas é uma garota e tem 16 anos.

“Então, eu sempre tive curiosidade desde pequena, e quando minhas amigas, que sempre foram mais velhas, trocavam de roupa na minha frente eu ficava sem graça de olhar, mas não conseguia evitar, então com 12 anos beijei uma amiga na boate. Não parei mais e meus pais descobriram e ficaram super chateados e desaprovaram, eu era bem nova, mas ate o ano passado eles não sabiam que eu ficava frequentemente com garotas. Me apaixonei por uma garota hetero, me apaixonei por ela e comecei a perceber que eu realmente gostava de meninas, não era bobeira. E eu comecei a contar pros meus pais e eles  ainda não estavam totalmente confortáveis com a situação, e esse ano eles estavam mais abertos em relação a isso... Foi quando eu comecei a namorar a Natalia, e contei mesmo, e assumi ela pra família, e eles aceitam conversam com ela normalmente, minha mãe conhece ela, e é super ‘de boa’.. eles ‘zoam’ bastante com ela e com meus amigos homossexuais, a chamam pra tudo que tem aqui em casa ou pra sair e essas coisas.” Ela diz também que no dia que contou à seu pai que estava namorando “ele ficou calado por um tempo, depois virou pra mim todo animado: ‘Minha filha, é bom que você não fica grávida’” Logo depois ficou uma semana sem dirigir a palavra, depois decidiu ir ao seu quarto e... “ele disse que me amava de qualquer jeito, chorou, e falou que fica orgulhoso pela minha coragem”

3º Depoimento: Edmo, 18 anos.

“Foi quando eu tinha 11 anos. Na época eu tinha um orkut, porém não tinha nenhum familiar "adicionado" era só amigos e etc. Até que um dia minha irmã que é casada foi na casa de uma família que era amiga da nossa. Chegando lá, ela viu minha amiga mexendo no orkut, exatamente no meu perfil, curiosa demais já fez minha amiga sair do pc e começou a futricar no meu perfil e acabou descobrindo... Que eu conversava com garotos e etc. Ela chegou em casa, de fininho e me pegou no orkut, apenas minimizei a janela e fingi que não tinha nada demais até que ela virou pra mim e perguntou: Que história é essa que você é gay? .. Eu sem saída, e como não consigo ficar quieto ou de cabeça baixa quando alguém grita comigo, simplesmente virei para ela e falei: ‘é isso mesmo, eu sou gay! Por quê?’ Ela começou a gritar, falar que eu tinha que gostar de mulher, que isso era uma doença blábláblá. Minha mãe tava de boa, achando que era brincadeira ou que era apenas uma fase. Depois disso minha irmã contou pra cidade inteira e ficamos sem nos falar por 2 anos. Hoje em dia o relacionamento com todo mundo é super tranquilo. Até conto as novidades e as fofocas pra ela.”

Eu sei que para alguns pais, deve ser bem difícil essa situação, pra gente já é, para os pais então... Lidar com fofoca, preconceito e tudo mais. Mas não justifica o comportamento agressivo ou ignorante da parte de alguns... A partir do momento em que você veste a camisa “amo meu filho não importa a sexualidade dele, vou estar sempre ao seu lado” a situação muda por completo, e se torna MUITO mais fácil enfrentarmos o preconceito fora de casa.
            Três pessoas que tem bom relacionamento com os pais me deram o depoimento. Estou muito agradecida com isso, sem eles não seria possível escrever o post.

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