domingo, 26 de agosto de 2012

O esteriótipo entre os meninos.



     Fui questionado pelo meu pai, em mais uma de nossas conversas sobre minha orientação sexual, a seguinte questão: ''Filho, você jogou bola, assiste futebol, é fanático pelo seu time, sempre frequentou lugares sem homossexuais, fez natação, joga video-games com jogos violentos, ouve rock igual a mim e gosta de lutas; como você pode ser homossexual e me explicar que isso não é uma fase?'' - um tanto quanto intrigante, não?

    Não creio que seja uma questão simples para nossos pais que tiveram uma criação em uma geração diferente que a nossa, por isso, temos que tentar adaptar nossa linguagem e ideias para convence-los. Quando meu pai me questionou isso, eu poderia ter arregalado os olhos e encarado com um jovem que sabe que isso é algo normal, mas até mesmo os mais jovens hoje tem uma ideia errada de como é ser um garoto homossexual.

    Todos veem garotos homossexuais como verdadeiros pequenos carros alegóricos, cheios de purpurina, aonde nunca param e também nunca querem cessar as coisas que mais gostam; uma vida sem limites. Quando isso é só mais um esteriótipo criado por nossa sociedade e infectado com a mídia. Quantas novelas retrataram um homem homossexual sem ser um cabeleireiro, designer de moda ou empregado particular de uma madame podre de rica e esnobe? A maioria dos diretores destas novelas tem o argumento - ''Queremos integrar os homossexuais na história para mostrar que é algo normal na nossa sociedade ainda homofóbica'' - mas acabam por passar uma imagem estereotipada e que faz alguns terem ideias erradas do que é ser homossexual.

    Eu tenho 16 anos de idade e me chamo Renan Hideyoshi, e respondi meu pai que tem 60 anos desta forma: ''Pai, o senhor pode tentar colocar justificativas para seda-lo da dor de saber que tem um filho homossexual, mas isso não é de hoje e nem de ontem. Eu fiz todas estas coisas porque, de fato, gosto de cada uma delas. Para que eu seja homossexual, eu não preciso afinar minha voz, ter uma vida sem limites e andar rebolando, isso foi uma imagem errada que lhe passaram. Basta ser eu mesmo, amando uma pessoa do mesmo sexo'' - sempre estive seguro de minha resposta, afinal, namoro um menino no qual amo muito e enfrento tudo por ele, inclusive a distância. E desde pequeno, sabia que eu gostava de outros garotos, mas isso é assunto pra outra postagem.

   Você muitas vezes será julgado, garoto, se for homossexual e algumas vezes surgirão comentários se você é como eu: ''Cara, você é o gay mais macho que eu conheço'' - seus gostos podem definir algumas ideias e ideais, porém não interfere em sua orientação sexual completamente.

Querem ter uma ideia de como orientação não define gostos, aparências e afins? Vejam esse documentário que deveria ser mais um daqueles a passar em Rede Aberta:


Somos únicos, diferentes, nossa semelhança é apenas uma: amamos.

Arigato gozaimasu

sábado, 25 de agosto de 2012

Orientação sexual ou opção sexual?



      Quando nascemos, não sei porque diabos pré-determinam que sejamos hetero mesmo assim você não opta ser hetero, pré-suponho, porque é o ‘normal’, mas o que é normal pra mim pode não ser normal pra você, acho que não tem um conceito de “certo, errado, normal” absoluto.

       Opção sexual, logo quando alguém diz OPÇÃO é algo que você opta, ou deveria ser isso, no contexto... Bem, é diferente você se sentir atraído por uma pessoa e ficar com ela por ficar, já é outra coisa você gostar de verdade da pessoa, e botar a cara na sociedade e se assumir por isso, existe gente que opta ser bissexual por exemplo, optar é diferente de você ser ‘uma coisa’.

        Já a orientação sexual é quando você nasce com aquilo, porque creio eu que ninguém vai meter a cara na sociedade e ir falar que é homossexual apenas pra sofrer preconceito, seria meio sem lógica. Discordo com a teoria do modismo, eu acho que diferente de moda, o homossexualismo tem sido um pouco mais aceito e então as pessoas se sentem mais à vontade para poder se ‘revelar’ digamos assim. Embora o pré-conceito seja grande ainda, está mais aceita, digamos.

         Bem a finalidade deste post é deixar bem claro para algumas pessoas que existe sim a diferença de optar e ser.

        ...Eu acho que quando se trata desse assunto a maioria das pessoas tem opiniões diferentes... 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012



Caros leitores,

             Voltei com o blog a ativa, irei postar pelo menos uma vez na semana. Eu estava tirando um tempo pra mim, aconteceram algumas coisas e eu estava até fora de casa (risos) estou bem melhor comigo mesma, precisava disso... E enfim...
            Hoje irei falar sobre o homossexual aceito em casa (algumas postagens abaixo eu falei sobre os não aceitos, inclusive falei sobre a minha história).
Conversei com algumas pessoas. And, here go!

            1º Depoimento: Neto Pinheiro, 18 anos. Balneário Camboriú, Santa Catarina.

            Neto diz que, sua experiência no começo se assumindo foi conturbada, “eu sempre fui muito ‘viado’ sabe, nunca nem fiquei com uma mina antes do reveillon do ano passado, mas a primeira vez que eu fiquei com um menino foi com 14 anos (com meu primo)... Hahaha, e tipo eu nunca cheguei nos meus pais e disse "eu sou homossexual" porque eu nunca tinha achado necessário, sabe” Há um ano e meio sua mãe o descobriu, quis bater no mesmo, sua mãe o descobriu deu o prazo de uma semana para ele sair de casa... “ ’Bom mãe se é isso que tu queres, ótimo’ no mesmo dia liguei pra minha avó e pedi pra morar lá um tempo, no dia que eu saí da casa da minha mãe, ela não estava em casa, tinha ido na igreja e eu fui sem me despedir e sem dizer pra onde eu tava indo. Mais ou menos uma hora depois, ela me liga e pergunta aonde eu estou, me ligou chorando, disse que se arrependia e e eu disse que era tarde que eu ia morar com a minha avó e fazer faculdade...” Então sua mãe lhe chama pra morar com ela quase todos os dias que os dois se falam, o resto da família sempre o aceitou bem... Depois ela foi ficando conformada, ela sabe que eu saio pra boates gays todo sábado, e agora eu e ela temos uma relação bem melhor. Eu acho que o amor fraternal sempre vence todas as barreiras do preconceito” ▬ Hoje em dia Neto mora sozinho e sua mãe lhe ajuda dando mandando um pouco de dinheiro para despesas, entre outros.


2º Depoimento: Bom, ela pediu para não dizer o nome, mas é uma garota e tem 16 anos.

“Então, eu sempre tive curiosidade desde pequena, e quando minhas amigas, que sempre foram mais velhas, trocavam de roupa na minha frente eu ficava sem graça de olhar, mas não conseguia evitar, então com 12 anos beijei uma amiga na boate. Não parei mais e meus pais descobriram e ficaram super chateados e desaprovaram, eu era bem nova, mas ate o ano passado eles não sabiam que eu ficava frequentemente com garotas. Me apaixonei por uma garota hetero, me apaixonei por ela e comecei a perceber que eu realmente gostava de meninas, não era bobeira. E eu comecei a contar pros meus pais e eles  ainda não estavam totalmente confortáveis com a situação, e esse ano eles estavam mais abertos em relação a isso... Foi quando eu comecei a namorar a Natalia, e contei mesmo, e assumi ela pra família, e eles aceitam conversam com ela normalmente, minha mãe conhece ela, e é super ‘de boa’.. eles ‘zoam’ bastante com ela e com meus amigos homossexuais, a chamam pra tudo que tem aqui em casa ou pra sair e essas coisas.” Ela diz também que no dia que contou à seu pai que estava namorando “ele ficou calado por um tempo, depois virou pra mim todo animado: ‘Minha filha, é bom que você não fica grávida’” Logo depois ficou uma semana sem dirigir a palavra, depois decidiu ir ao seu quarto e... “ele disse que me amava de qualquer jeito, chorou, e falou que fica orgulhoso pela minha coragem”

3º Depoimento: Edmo, 18 anos.

“Foi quando eu tinha 11 anos. Na época eu tinha um orkut, porém não tinha nenhum familiar "adicionado" era só amigos e etc. Até que um dia minha irmã que é casada foi na casa de uma família que era amiga da nossa. Chegando lá, ela viu minha amiga mexendo no orkut, exatamente no meu perfil, curiosa demais já fez minha amiga sair do pc e começou a futricar no meu perfil e acabou descobrindo... Que eu conversava com garotos e etc. Ela chegou em casa, de fininho e me pegou no orkut, apenas minimizei a janela e fingi que não tinha nada demais até que ela virou pra mim e perguntou: Que história é essa que você é gay? .. Eu sem saída, e como não consigo ficar quieto ou de cabeça baixa quando alguém grita comigo, simplesmente virei para ela e falei: ‘é isso mesmo, eu sou gay! Por quê?’ Ela começou a gritar, falar que eu tinha que gostar de mulher, que isso era uma doença blábláblá. Minha mãe tava de boa, achando que era brincadeira ou que era apenas uma fase. Depois disso minha irmã contou pra cidade inteira e ficamos sem nos falar por 2 anos. Hoje em dia o relacionamento com todo mundo é super tranquilo. Até conto as novidades e as fofocas pra ela.”

Eu sei que para alguns pais, deve ser bem difícil essa situação, pra gente já é, para os pais então... Lidar com fofoca, preconceito e tudo mais. Mas não justifica o comportamento agressivo ou ignorante da parte de alguns... A partir do momento em que você veste a camisa “amo meu filho não importa a sexualidade dele, vou estar sempre ao seu lado” a situação muda por completo, e se torna MUITO mais fácil enfrentarmos o preconceito fora de casa.
            Três pessoas que tem bom relacionamento com os pais me deram o depoimento. Estou muito agradecida com isso, sem eles não seria possível escrever o post.